Muito Equilibrio em Pfaffenheim, Alsácia

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Estava difícil de acertar uma agenda comum para passar uns dias com o Jean Ginglinger, e finalmente deu certo. Garrafa Livre na Alsácia !!!!

 

 

Equilíbrio da Natureza

Fizemos uma linda visita a várias parcelas dos 5.5 ha dos vinhedos de Jean Ginglinger, das quais 1/3 estão em terroirs Grand Crus… Bhil, “La Villa”, Steinert, Zinnkoepfle, “O Triangulo”, locais onde a natureza encontrou seu equilíbrio. No Brasil, e aqui na França também, o vinhedo de Jean-François seria chamado de “matagal”… sim, um matagal bem vivo e equilibrado, que permite à natureza se balanceie e se proteja. Desabafo meu: é lindo ver o solo vivo (contrastado com os solos de parcelas vizinhas, de outros produtores)… DSC00030Mesmo num ano em que o vinhedo de Pfaffenheim foi fortemente  atingido pelo fungo Mildiou, após uma estação chuvosa na época da floração, o vinhedo de Jean Ginglinger aguenta… sofreu bastante, mas aguenta…. Já prevemos rendimentos menores que levarão a menores volumes de vinho (teremos que reservar rapidamente a safra do ano que vem !), mas trarão uma melhor concentração… propiciando vinhos mais encorpados.

Transmissões e Libertação

Jean-François Ginglinger e seu pai trabalhando no vinhedo.

Passar vinte e quatro horas na casa de uma família de vinhateiros permite começar a entender a transmissão de valores, de conhecimento, e de autonomia no mundo do vinho. O pai do vinhateiro trabalhava em agricultura convencional até o meio dos anos 80 quando, depois de aplicações de novos “produtos químicos”, a mãe do vinhateiro caiu doente, com placas sobre a pele dos braços…. após a análise de sangue o médico chamou o casal para dar o prognóstico: “Ou sua esposa não vai mais trabalhar no vinhedo ou o senhor para de utilizar esses produtos químicos.”  Tudo mudou: pesquisa e implementação rápida de técnicas naturais para gerenciar o vinhedo, plantas, algas…. assim começou a transição. Jean-François, vizinho e amigo de Pierre Frick, é um dos expoentes da nova geração de vinhateiros da Alsácia, inspirado pelos grandes da região (Richter, Mayer, Frick, Schueller, Binner) e com formadores como os Bourguignon para os solos, Pierre Masson para a biodinâmica…. Mesmo com todas essas experiências à mão, Jean-François traçou e seguiu o seu caminho próprio, testes com agricultura biodinâmica em 1997, agricultura orgânica em 1999, certificação Demeter em 2001…  e a libertação: primeiro vinho sem sulfitos em 2003, saída da certificação Demeter em 2009, distanciamento das Apelações de Origem, lavra das melhores parcelas com cavalos em 2015, todos os vinhos sem sulfito em 2016… O futuro começa cedo na Alsácia, a família Ginglinger trabalha junta diariamente com muito afinco e dedicação, parte no vinhedo parte no escritório, parte na cave. Quando falo da família, digo Jean-François, sua esposa Hélène, seus dois filhos (16 e 18 anos), e seus pais….e a cadela Canela !:-) Os filhos já se direcionam cada um de sua maneira para o vinho, um mais no vinhedo e outro na cave e no comercial…

Na Cave

Provamos muita coisa: todos os vinhos que ainda estão nos tonéis de madeira antiga, Gewurztraminer, Riesling, Sylvaner, Pinot Blanc, Pinot Gris, Pinot Noir, Muscadet, vinho laranja de Gewurztraminer, Gewurztraminer oxidativo com infusão,corte parcelar de Riesling, Gewurztraminer Grand Cru, etc etc etc. “- Jean, porque você usa tonéis de madeira? ” , e a resposta direta e esclarecedora “- Eu gosto de trabalhar com tonéis de madeira antiga pois permitem ao vinho se desenvolver sem marcar o vinho, deixando as uvas se exprimirem. Tenho tanques de inox, e de cimento também, mas prefiro trabalhar com a madeira para guardar toda a sutilidade aromática e gustativa das uvas “.

Bom, é legal partilhar o que vivemos lá esta semana, isso explicará muito os super vinhos que levamos para o Brasil.

GSUNDHAIT !!! Fala-se Suntait e é o brinde de saúde em alsaciano.