Toscana 2016: azeite, encontros e vinho

dsc_2337Dez dias na Toscana, com amigos queridos, colhendo azeitonas, levando para fazer azeite, encontrando pequenos produtores de azeite, de vinho, de suco de romã, etc etc…. orgânicos, naturais, biodinâmicos, seja lá como quisermos chamá-los o importante é que a conexão humanos-natureza é restabelecida ! Fazemos parte da natureza, nós, como os carvalhos, os sapos, os cogumelos…. Entender e aceitar isso nos faz em parte responsáveis por um elo nessa cadeia infinita, que assim nos leva a consumir conscientemente, comer conscientemente, agir conscientemente.

 

dsc_2359-1Azeite: quatro dias de trabalho coletivo colhendo azeitonas lindas mas em pouco volume das 100 árvores do Campino…. aprendendo a podar as oliveiras na prática…. levar os risíveis 76 quilos ao lagar (frantoio) e ter ao final parcos 8 litros de azeite… faz pensar. Vejo dois caminhos: um que diz “não vale à pena o trabalho , vamos comprar de quem tem rendimento maior”, outro que vai mais por “vamos aprender a podar a tratar as árvores de maneira natural e deixar a natureza fazer o resto”…. acreditar em nossas ações é importante ! E o mais importante é o processo e não o resultado….. sair de Paris de carro, percorro toda a França e parte da Itália com amigos, encontramos velhos e novos amigos, trabalhamos juntos, comemos juntos… isso é o que fica… o azeite… se consome e , ano que vem tem mais trabalho….

Cogumelos: caminhar sem objetivo, caminhar observando o que a natureza nos fala, escutar os pássaros locais, ver o crescimento de plantas, de cogumelos… entender quais são comestíveis (como diz um amigo, todos são comestíveis, o segredo é saber quais são mais de uma vez :-), aprender com as pessoas locais a identificá-los e como se preparam, tudo isso é experiência de conexão com a natureza e com as pessoas, com a tradição, e com o gosto. Colhemos uma dúzia de belos cogumelos Pinarolo (Suillus granulatus), como o nome sugere, que nascem sob os pinheiros…. E os preparamos como antipasto salteados no azeite com alho…. divino !!!

img_6191-1Vinho : A criação da Garrafa Livre foi baseada numa intenção de partilha de valores e de vinhos que respeitam o meio-ambiente, o vinhateiro, o bebedor…. e nessa linha o vinho natural é chave de encontros incríveis, criando momentos inimagináveis…. para encontrar vinhos e produtores de vinhos naturais na Toscana, mais especificamente na costa Etrusca, não foi fácil… na adega do vilarejo onde estávamos encontrei alguns vinhos fenomenais… mas localizados muito longe, perto de Florença… via ViniVeri e ViNatur, consegui dois de uma lista de mais de 10….

Alessandro Martelli com seus Incontri, mais um belo encontro, 6ha de vinhedos e outros tantos de oliveiras e de trigo de variedades antigas, vinhos sem SO2 adicionado e certificados Organico EU e Vegan. img_6212-1Provamos todos: Vermentino 2015, de cor intensa e bela surpresa para quem não gostava de Vermentino ! Depois um Vinho Laranja de Vermentino 2013, exótico e muito bom. brancos que foram acompanhados por uma tábua de aperitivos toscanos. Então passamos aos tintos: um Sangiovese 2012 de guarda e belo porte; Cabernet Sauvignon 2013 com uma forte estrutura de guarda; o top da casa Rosso 2012 – autoproclamado supertuscany – com boa razão, e um Merlot 2009 para finalizar, todos esses tintos acompanhados por uma zuppa toscana que a mamma do Alessandro nos trouxe….

dsc_2364-1Maria Chiara Trinci com seu magnifico Carmina Arvalia, a família que guarda a nascente de água da região, e que no seu 1 ha produz um único vinho… um no terroir DOC Bolgheri mas sem reivindicar a apelação, uma acolhida num dia chuvoso com queijo pecorino, mel da Sardenha, lardo de colonatta, azeitonas, pane bruto, e vinho. Provamos numa conversa multicultural com Maria Chiara e sua mãe de 80 e poucos anos… o 2013, depois o 2012 e o 2014 que ainda não foi engarrafado. O tempo é fundamental para um grande vinho… no 2014, já vemos os traços e a estrutura de vinhos que se desenvolverão por 15, 20 anos…. (pensei em guardar uma garrafa do 2013 até 2029… para meus XX anos….). Ganhamos a garrafa aberta para nossa prova… a qual partilhamos no aperitivo com mais amigos queridos e o vinho estava melhor ainda !

“NAVEGAR É PRECISO; VIVER NÃO É PRECISO”

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