Colheita e Vinificações 2018 – Domaine Olivier Pithon

Este ano de 2018, conversei com o Olivier Pithon antes do início das colheita que gostaria de trabalhar mais na cave (cantina) para aprender na prática os processos de vinificação utilizados por ele. E foi assim que se passaram as 5 semanas de colheita 2018: do meio de agosto ate quase o final de setembro. Numa média de trabalho de 10 horas por dia…. extenuante, mas recompensante….

O caminho da uva que virará vinho é curto e acontece rapidamente. Desde os vinhedos onde cortamos as uvas , transportamos em baldes ou em coifas dorsais para grandes recipientes de 500 kg, os bacs. Nas vinhas éramos 12 pessoas cortando e carregando – e cantando, e falando sete idiomas.

 

 

 

 

Estes bacs são colocados (ou já se encontram) em caminhões, que carregam ate 4 bacs: 2 toneladas de uvas. Eu fiz uma grande parte dos transportes nos caminhões para a cave, com calma saindo dos diversos vinhedos espalhados pelo município de Calce (o mais extensos do Departamento) ….

Chegando na cave com o caminhão carregado, com um elevador retiramos cada bac e os pesamos, ates de qualquer coisa. Depois começam os caminhos distintos para cada uva….

Prensagem direta: para brancos, rosês ou tintos leves…. colocamos diretamente as uvas dos bacs na prensa pneumática que aceita 2 toneladas, assim 4 bacs…. após enchermos a prensa “até o talo”, fechamos a porta e lançamos o programa de prensagem de brancos (p.ex.). Um programa que ao mesmo tempo que roda a prensa, aumenta a pressão de um colchão de ar no seu interior bem lentamente, para fazer uma extração suave do suco. isso dura umas 3 horas.

Depois esvaziar a prensa e limpar. uma hora cada processo.

 

 

Tanques vazios

Colocando as uvas desengarçadas no tanque

Tanque cheio

 

 

 

 

 

 

 

Para os vinhos tintos: maceração de em torno de uma semana em tanques de concreto ou de aço inox. Algumas em cacho inteiro outras desengarçadas (tiradas somente as uvas, sem os ramos que as prendem). Isto depende da uva e do vinho que o vigneron quer fazer. Pode existir misturas, metade cacho inteiro, metade desengarçada…..

enchendo as barricas

Depois dessa semana de maceração, decuvage : drenar o suco, esvaziar o tanque e colocar as uvas na prensa, juntar o suco ao primeiro e bombear para um tanque para final de fermentação,  e depois para ou barrica, ou tonel para a maturação…

enchendo um tonel

 

 

 

 

 

 

 

 

Higiene: parte fundamental para se fazer um vinho natural de qualidade. A todo momento limpar a cantina, o chão, os tanques, as tubulações, a bomba, a prensa, a desengarçadora, os bacs, os baldes, os copos, as provetas, a pipeta, o densímetro….

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Final dos dias, cantina limpa…. tudo pronto para o dia seguinte…

 

Naturebas 2018, UAU !!!

Temos no Brasil um salão de vinhos ORGÂNICOS, BIODINÂMICOS e naturais de nível internacional ! BRAVO NATUREBAS !

Não é uma questão e sim uma afirmação. Nos quatro anos que participamos do salão Naturebas, vimos e acreditamos na evolução.

Este ano foi show para os expositores:
stands com espaço, bem distribuídos, todos no mesmo nível, grande diversidade de expositores , muitos (todos ?) produtores brasileiros presentes, produtores estrangeiros, organização, profissionalismo, acolhida, e ambiente positivo ! Bela interação entre os importadores/produtores…. não estamos competindo, estamos criando um mercado …. coleta para reciclagem do papelão

Este ano foi show para os visitantes:
maior espaço para circular com os stands no mesmo nível, profissionais e consumidores misturados e todos provando e trocando opiniões, alimentação de qualidade disponível no local durante o salão, mapa dos expositores super claro e simples, cartazes com os nomes dos expositores,

GARRAFA LIVRE no NATUREBAS 2018

Levamos seis cuvées que mostram um pouco da diversidade de nosso portfólio, vivos, estáveis,  lindos emocionantes exatamente como é feita nossa seleção ….

 

Vinum 2016
ORG, BD – solo argilo-arenosos profundos.
La Colombière – Fronton/Sudoeste
Negrette
mat: tanques de concreto.

Référence 2016
ORG, BD – solo granítico.
D. des Pothiers – Roanne/Vale do Loire
Gamay Saint-Romain
maceração de 6 dias. mat: 5 à 8 meses em tanques de inox.

P’Tite Vadrouille 2016
ORG, BD – argilo-calcário
D. du Mortier – Bourgueil/Vale do Loire
Cabernet Franc, Merlot
maceração carbônica – mat: 5 meses em tanques de concreto.

Les Jacquaires 2016
ORG, BD – solo argilo-calcarário / cascalhos e argilas vermelhas
La Colombière – Fronton/Sudoeste
Bouysselet, Chenin, Sauvignon Blanc
mat: 6 meses sobre leveduras mortas em inox.

La Bohème 2015
ORG – solo xistos.
La Sénéchalière – Muscadet/Vale do Loire
Melon de Bourgogne
maceração pelicular de 6 horas.

 

Pinot Blanc 2016
ORG, BD, zero SO2 – solo argilo-calcário.
Jean Ginglinger – Alsácia
Pinot Blanc
maceração de 6-8h. mat: 6 meses em tonel de carvalho.

 

 

Be Ranci ! – Salao de Vinhos Oxidativos da Europa, no Centro do Mundo !

https://i2.wp.com/c7.img.v4.skyrock.net/2391/22472391/pics/1100131292_small.jpgAconteceu dia 11 junho de 2018 a 100 metros do Centro do Mundo (Dalí batizou a estação de trem de Perpignan como o CENTRO DO MUNDO…)

o salão  Be Ranci ! – Salao de Vinhos Oxidativos da Europa

A referência em vinhos oxidativos secos da Europa …. chamados de Rancio, Massala, Rivesaltes, dependendo de onde são feitos ,não são fortificados, no salão vieram de Roussillon, Gaillac, Catalunya, Priorat, Sicília… e muito mais ….

Realmente é uma abertura para um mundo completamente diferente. Quando eu disse não fortificados disse que não recebem alcoóis para parar a fermentação e guardar o açúcar. Vinhos Fortificados ou mutados, são os Portos, os Jerezes (onde temos os Almontillados, salve E. Allan Poe… The cask of amontillado), muitos Marsalas (da Sicilia), os Madeiras, os Moscatéis de Setúbal, os Vins Doux Naturels, os Commanderias (de Chipre), o Mistela italiano… e muitos outros ainda existem e resistem….

Cores e Aromas
Super variados, indo de um branco pálido com aromas florais a velhos rancios Ambrés, com notas de mel e frutas secas, e tintos com notas de cerejas e geleias chegando aos Tuilés com notas tostadas, de frutas secas e grande complexidade.

Vinhateiros, Vignerons, vignaioli, vinicultores…. e seus vinhos….

 

 

 

 

 

 

 

Uma viagem no tempo e no conceito de vinho , um vinho que tem partes de mais de 200 anos ou mais … é o que?Barricas de 8000 litros que guardam o trabalho de mais de uma dezena de gerações…

Sobre os Processos
listarei alguns, mas na verdade são infinitas combinações…
1) solera – onde linhas de barricas sao empilhadas, e quando um novo vinho é feito (colheita, prensa e fermentação), primeiro se tira vinho das barricas inferiores (mais antigas) e com a diretamente superior completa-se a primeira barrica, assim subsequentemente ate completar a ultima barrica do alto com o vinho do ano.
2)  ouillés – num reservatorio simples , coloca-se o vinho de um ano e vai se completando (“ouiller”) com os vinhos dos anos seguintes.
3)  sous voile num reservatorio simples , coloca-se o vinho de um ano e sem completar espera-se que crie um véu (“voule”) de leveduras e bactérias, que protegerão o vinho.
Os reservatórios podem ser barricas, mi muids, tonéis,  anforas , etc…

Minhas reflexões

O tempo perde sua importância , um vinho feito ano passado, será colocado junto com restos de um vinho feito há mais de 200 anos….  Tenho uma base matemática, fazer o quê…. e vi claramente uma suavização da série histórica das safras (clima, castas utilizadas, parcelas, método de colheita e vinificação) dentro de um copo somente ???!!!! Fiquei realmente Perdido no Espaço-Tempo…. Indo para a Física Quântica, me senti passando entre Pontes de Einstein-Rosen, pulando de um ponto para outro no universo ….. tá eu sei que pirei um pouco, mas… a vida é curta ou longa dependendo de como vivemos, do que comemos e de quem conhecemos…. falando de Espaço-Tempo assisti a um curta muito interessante do Festival d Angouleme 2018… que fala de futebol e espaço tempo, em tempos de copa e cozinha…. bah…. vejam aqui

Salao de Vinhos Naturais – Indigenes 2018

Nos dias 29 e 30 de abril passado fomos ao Salao de Vinhos Naturais Indigenes, em Perpignan que valoriza os vinhos naturais da Catalunha e da Occitania .

Encontro muito legal com amigos vinhateiros da região e de fora do Roussillon também, oportunidade única de provar vinhos com uvas grenaches de diversas microrregiões na França e da Catalunya…

OK, quase todos os 9 vinhateiros naturais de Calce estavam lá, Jean-Philippe Padié é claro estava, a Virginie do Causse Marines também estava… e tantos outros….

Momentos sublimes no Convento dos Dominicanos de Perpignan…

.

Visita Vallat d’Ezort – vinho natural no Gard

Mais uma visita ao Domaine Vallat D’Ezort, de Frédéric e Manuela Martin em Souvignargues no Gard – Languedoc. Cheguei não muito cedo mas o suficiente para fazer uma boa degustação na cave, conversarmos sobre as safras de 2017 e 2018 na França. E sobre como esta indo o Brasil e o mercado brasileiro, além de aprender mais sobre a dinâmica natural no vilarejo de Souvignargues .

Nesta safra de 2017/18 Frédéric não fez Alegria Rosé – tristeza nossa – pois não conseguiu uvas cinsault suficientes para vinificar uma cuvée inteira. Esse problema aconteceu quase em toda a França, por diversas causas: granizo, geada, javalis, mildiou, seca, etc acontecendo em momentos sensíveis do desenvolvimento biológico das videiras…

Voltando ao Vallat d’Ezort provamos o Blanc 2017 de uvas Grenache Blanc e Vermentino, vivo e amplo sem ser pesado; o Alegria Rouge 2017 que tem 50%/50% de Cinsault e Carignan Noir exprimindo muita fruta vermelha e com notas de pimenta preta ; e o La Belle Rouge 2015, a antiga cuvée AOC Languedoc agora recebe um nome e está fora da AOC, Carignan Noir, Grenache Noir e Syrah um vinho mais encorpado maturado por alguns anos e por fim a Fantastica 2014, que já conhecemos e temos no Brasil, e que evolui muito bem !

A surpresa foi encontrar o Laurent Bigou, outro vigneron natural de Souvignargues do Mas Lau, que faz as cuvées Mas Lau rouge e blanc , L, Clin D’oeil… ótima discussão, provamos o Clin d’Oeil 2017 , um tinto cheio de especiarias e fresco !

Os vinhos provados….

Depois passamos um pouco pelo vinhedo, fomos encontrar o aprendiz tratorista de 20 anos (que estava pensando somente na Feria de Nîmes – Corridas ou Touradas em português – sim, nas arenas romanas de Nîmes ainda existe isso….) bom…. com isso ele passava rapidamente com o trator em uma parcela nova de Frédéric Martin.

O almoço mais tarde… no vilarejo de Aubais a uns 10 quilometros de Souvignargues, fomos com Fréderic Martin e Laurent Bigot, ao restaurante La Tablière, entregamos encomendas de vinhos e almoçamos regados a garrafas do Vallat d’Ezort: Blanc 2017 e La Belle Rouge 2015. Simpático restaurante de vilarejo que como menu do dia tinha um creme de ervilhas frescas e um saboroso maquereau (carapau) que funcionaram perfeitamente com os vinhos que tínhamos conosco. Para refrescar o branco, nada melhor que cubas d’água em pedra que servem como caminho de um pequeno riacho no meio do vilarejo !

La Tablière – Aubais, France

 

Vinho Natural em Destaque Maio 18 – Cuvée Lais Rouge 2015 – Olivier Pithon

Bom, o destaque deste mês é um vinho pouco conhecido no Brasil a Cuvée Laïs Rouge 2015 do Olivier Pithon. Na Catalunha francesa, no Roussillon, com vista para o Mar Mediterrâneo e para os Pirineus – que hoje 22 de maio ainda tem neve – localizado no vilarejo de Calce…. um vilarejo que atrai vihnateiros de qualidade pela sua riqueza geológica e climática, maior parte desses vinhateiros tendo vinhedos orgânicos, e intervindo o mínimo possível na vinificação e maturação.

Um dos primeiros a se instalar depois do precursor Gauby,  Olivier Pithon trabalha hoje com 20 ha de vinhas nos arredores do vilarejo de Calce, vinificando e maturando em sua cave que se encontra à saída do vilarejo – depois do cemitério !:-). Com um trabalho minucioso sobre as uvas grenache e carignan, Pithon traz para seu vinho tinto carro-chefe muito da complexidade do terroir e do clima que são explorados ao limite em seus vinhos monovarietais de sua primeira linha.

Laïs Rouge 2015 é pouco conhecido no Brasil pois guardamos carinhosamente em nosso estoque refrigerado para que ele pudesse amadurecer um pouco antes de comercializá-lo. Um pouco antes do inverno…. Assim, com mais de seis meses descansando acreditamos que nossos consumidores encontrarão um vinho excepcional.

Saúde ! !

Bem vindo BAZZAR no Rio

Aos pouco vamos chegando a novos restaurantes que se sensibilizam por nossa seleção de vinhos naturais franceses ! Num outro tempo eu escutaria chamar isso de avanço comercial, hoje , claramente, são sincronicidades….. poc a poc…..

Bem vindo Bazzar, bem vinda Cris Beltrão e equipe !

Bazzar, Rua Barão da Torre, 538 , Ipanema, Rio de Janeiro – RJ Tel.:(21) 3202-2884

Bazzar

@bazzar @crisbeltrao

Destaque de Abril 18 – P’Tite Vadrouille 2016

P’Tite Vadrouille um vinho de solidariedade. Desde o início da Garrafa Livre, temos a constante preocupação de criar relações duradouras e de confiança com os vigneron fornecedores e sobre essas relações construir o negócio de importação de vinhos.

Em 2016 o clima foi muito duro e alguns vigneron perderam quase toda a colheita com geadas subsequentes, e granizos em momentos delicados da evolução das vinhas… Assim aconteceu com o Domaine du Mortier, em St-Nicolas de Bourgueil, Vale do Loire … perderam 75% de suas uvas !

Os irmãos Boisard, não deixaram a peteca cair: financiamento participativo e pé na estrada para comprar uvas de amigos…. disso tudo nasceu a P’Tite Vadrouille (que eu traduziria livremente como Rolezinho), maceração carbônica de uvas Cabernet Franc e um pouco de Merlot, orgânicas – é claro….

Rootstock 2018

Mais uma vez, estivemos presentes como voluntários no Domaine Causse Marines, dos adoráveis Patrice e Virginie para ajudar a fazer acontecer o Rootstock 2018, este ano… acho que mais de 800 pessoas passaram nos dois dias de sol, música, vinho e vida…. perto do vilarejo de Vieux (sim, traduzindo o nome desse vilarejo seria Velho… dá pra imaginar?). Chegamos sexta feira para participar do esquenta, pizza no forno a lenha e vinhos dos vinhateiros que chegavam também… dormimos perto num gite de amigos do Causse Marines… e sábado cedinho já estava à beira da piscina para ioga e meditação, vendo o sol nascer e iluminando o espírito de paz e altruísmo…

partiu: posicionar mesas, arrumar o bar, preparar o que comer para os quase 30 voluntários… e os primeiros visitantes chegam…

 

 

 

18:00 a banda Coanda de groove/funk/soul começou e detonou… dançando sem parar…

Eu, como não poderia deixar de ser acho, trabalhei no bar…. servindo, sugerindo, repondo mais garrafas… bebericando um pouco, rindo outro pouco…

 

 

 

 

Domingo repetimos a dose, desta vez com a banda Rwoods de pop/folk/blues… fruto local ! E fomos até terminarem as garrafas … do bar foi tudo, os pés e pernas cansados de tanto dançar…. a cabeça sem dor…. – vinhos naturais – pouco ou zero sulfito… enfim… um belo final de semana… recomendo para quem ama musica, vinho, e regiões não turísticas da França ….

Estiveram presentes os vinhateiros:
Le vignoble du rêveur (Alsácia), Matthieu Dumarcher (Rhône), champagne Fleury, La Grange Tiphaine (Loire), Clos 19bis (Bordeaux), Jean-Yves Devevey (Bourgogne), le Mas de la lune (Roussillon), Jean-Philippe Padié (Roussillon), Gut Oggau (Autriche) et Oriol Artigas (Catalunya/Espagne).

Final de Festa…..

Emmanuelle Milan com seus lindos vinhos da Alsácia !!!

Degustações em Jan Fev 2018

Não foi fácil, haviam várias degustações em dois pontos da França:
Montpellier (BioTop, Millesime Bio, Les Affranchis, Les Vigneron de L’Irreel, Roots 66 and friends – além da festa do Cochon no Dominio de Sulauze, é claro),

e depois no Loire (Salon St Jean, Les Anonymes, Wine Off Angers, Les pénitentes, La Dive Bouteille) …

E logo após, os dois salões em Barcelona (BVN – Barcelona Vins Nus e Vella Terra)

Como cobrir todos? simples: não dá…. abaixar a ansiedade e ir aos salões onde eu consigo trabalhar mais tranquilamente, e vamos que vamos.

Neles eu tinha muita coisa para fazer: provar as cuvées 2017 dos 15 produtores com que trabalhamos; encontrar e provar os vinhos de vinhateiros amigos, provar vinhos que vislumbro levar ao Brasil, conhecer novos vinhateiros, novos vinhos, beber um pouco :-) e viver muito !

Estou muito feliz pelo que consegui… Consegui rodar vários salões e encontrar os queridos Causse-Marines, Pothiers, La Colombière, Sénéchalière, Milan, JPPadié, Jean Ginglinger… etc… bom bom…

e provei muita muita coisa nova, encontrei amigos, foi corrido, travei as costas, enfim… aventura !