Degust Vertical de mais de 10 anos no Calce-França

Cruzar todo o país de carro em quase 900 km, 50 Euros de pedágios e 8 horas na estrada dão uma dimensão de como tudo começou…. provar uns 30 vinhos do Olivier Pithon, beber outros tantos mais, encontrar e fazer novos amigos e no final voltar para Paris….

Mudanças meteorológicas pela Franca, muita chuva no caminho e chegando ao sul, SOL e… vento, o Trasmontano … um dos grandes ventos do Mediterrâneo, que na região no Roussillon sopra do Noroeste, frio… que passa entre os Pirineus e o Maciço Central. Soprou os quatro dias, sem parar, dia e noite, como bem escreveu Victor Hugo no seu poema Gastibelza  “Le vent qui vient à travers la montagne me rendra fou…” o que em português seria: “O vento que vem através da montanha de deixará louco…” . Estamos no Calce, 30 minutos de Perpignan, de onde se vê mar Mediterrâneo, Pirineus e mais montanhas.

Aos vinhos… Convidados pelo Olivier Pithon para uma degustação vertical de seus vinhos (cuvées) carro-chefe o “La D18”, branco principalmente com uvas Grenache Blanc, e o “Le Pilou” (de vinhas com mais de 100 anos de uvas Carignan – ou seja pós-philoxera. Vertical é quando degustamos várias safras de um mesmo vinho (cuvée). Chegando ao Calce, encontramos com o Jean-Philippe Padié , que nos hospedou e é grande amigo do Olivier Pithon.

Jantar em Perpignan num bar a vin / restaurante de vinhos naturais “Via del Vi” onde tomamos um belo El Niño do Casot de Mailloles, no Banyuls e onde na mesa ao lado um casal tomava um Calice do Padié !!!

IMG_5274IMG_0584Primeira degust(ação): a montagem do Cuvée Laïs branco, majoritariamente uvas Maccabeu mas em parcelas de solos variados desde o argiloso, passando por margas calcárias e chegando ao xistoso. Cada parcela é vinificada separadamente e expressa o micro-terroir, depois é feita a assemblagem (mistura) mostrando complexidades vindas das diversas parcelas… e voilà o cuvée Laïs está pronto… IMG_5249provamos cada barrica de 300 l parcelar, e depois o vinho “feito” direto do tonel de 1200 l oval, para aproveitar da pressão sobre as leveduras mortas no fundo do tonel e minimizar a superfície de oxidação. Que vinho lindo, complexo, mas agora compreensível….

 

IMG_5260Segunda degust: Direto para a cave do Jean-Philippe Padié provamos direto dos tonéis Gibraltar 2015, Petit Taureau 2015, Ciel Liquide 2012, Milouise 2015 e novidades. A sensibilidade do Jean-Philippe na montagem e maturação de seus vinhos aparece claramente no Gibraltar e no Milouise, e indicam o caminho a seguir nos Tourbillon de la Vie branco e tinto – vinhos francos e sinceros, que são feitos para beber e partilhar momentos, como o Calice. Esta semana é o engarrafamento do “Tourbillon de la Vie” branco e tinto… que vão para o Brasil em breve.

IMG_0586Pra fechar o dia um jantar Pantagruélico na sede do Olivier Pithon, provando seus pães, ostras, terrines, saucissons, batatas fritas e costela de um de seus touros, regados a vinhos do Olivier, do Padié e de cavistas rugbymen de Agen. Dia seguinte, o grande dia……

 

 

IMG_5262Terceira degust: Vertical do “La D18”, principalmente com uvas Grenache Blanc. Cavistas, sommeliers, chefs e críticos de vinho presentes, 40 pessoas. Provamos das safras 2002 até 2014… nessa ordem, para melhor enxergar nos vinhos jovens o potencial de amadurecimento e de desenvolvimento, depois retornamos a anos selecionados para confirmar observações e re-saborear pérolas :-)). Foi uma bela viagem no tempo, nos sabores, nos aromas, nas relações clima-vinho. Algumas dasIMG_5264 minhas anotações: 2003, 2008, 2011 > vinhos solares (Olivier Pithon), vinosos, amanteigados, complexos , com finais longos e bem redondos. 2007> UAU…. diferente de tudo, com um ataque intenso, notas de cítricos, franco – o preferido de Olivier, também.  2006> fino, mineral direto e com belíssimo final. nos 2013 e 2014 – que encontramos nos cavistas pode-se ver o potencial claro 2013 seguira os solares e 2014 seguirá o 2006 na delicadeza.

Quarta degust: Vertical do “Le Pilou”,  de uvas Carignan de vinhas centenárias – ou seja pós-philoxera. Provamos das safras 2006 até 2014… nessa ordem, com a mesma lógica que utilizamos para o branco, encontramos 2009,2010 e 2011 incríveis vinhos crescendo nessa ordem em beleza, complexidade e potencial de guarda. Depois, um 2014 simplesmente lindo ! Presente !

IMG_5270Quinta degust: Cuvée Laïs 2005, o branco de uvas maccabeu, em garrafa, em magnum e em jeroboam… pra quem não entendeu: a mesma safra 2005 mas em garrafas de volume diferentes: 750ml, 1500 ml e 3000 ml. Incrivelmente o amadurecimento do vinho na garrafa muda dependendo do seu volume, das rolhas utilizadas…. Aqui, a garrafa 750ml ganhou em cor, aroma, e na boca ! BRAVO…. acompanhou uns corações de pato no espeto, gosto e textura entre o magret e o foie-gras ! (O Olivier não é anão, ele estava abrindo uma (garrafa) Jeroboam que mede 50 cm ! como a que aparece à esquerda da foto!)

Terminou…. volta para casa…. até a próxima Olivier, Jean-Philippe e o vilarejo do Calce ! Minhas fotos pessoais do Calce.

L’Énorme Degustation des crus du soleil

IMG_3283

28 de março de 2015 – Cave Les Crus du Soleil – Paris

Ventava muito, no sul de Paris, e sob a tenda vários vignerons dos quais ressaltamos os seguintes:

Padié, mais uma vez encontramos com o Jean-Philippe e discutimos como está andando nossa abertura no Brasil. Ele nos apóia desde o inicio. Apresentamos os vinhos dele para amigos brasileiros e franceses com ótima recepção: Tourbillon de la Vie blanc, Fleur de cailloux blanc, Petit Taureau, Ciel Liquide, Milouise e o quase-rosé Exaybachay (que é um belo rosé “branco de tintas” com estrutura e complexidade para acompanhar belas refeições e que nunca havíamos compreendido o nome, e o Jean-Philippe explicou: é o nome do personagem Nobody no filme de 1995 do Jim Jarmusch “Dead man” com Johnny Depp e trilha sonora do Neil Young)…

Domaine Olivier Pithon – uma conversa boa suportada pela re-prova dos Mon P’tit Pithon tinto e branco, o Laïs branco e tinto, e o Pilou. Demos continuidade às nossas conversas de levar seus vinhos para o Brasil.

Gavin Crisfield, Domínio La Traversée, a historia desse irlandês que ja viajou o mundo trabalhando com vinho e decidiu de se instalar no Larzac e criar seus vinhos de uma forma muito especial, são usados “ovos” de concreto e barricas de carvalho na maturação o que resultam vinhos bem complexos, minerais mas com a presença clara das variedades utilizadas. O Cinsault tinto, é uma obra pura onde podemos apreciar essa variedade com todas suas características. Já o Traversée é o vinho mais complexo, de guarda, de futuro ! Conversamos sobre as possibilidades do Brasil… interessa, é claro para alguém tão multicultural !

Delphine Rousseau – Domínio do Pas d’Escalette. Interessante e alegre conversa com Delphine começando pelo Clapas branco, depois pelos Les Petits Pas “os pequenos passos” passando  para o Claspas tinto e finalmente ao Le Grand Pas ( “o grande passo”).

Olivier Jullian – Mas Jullien. Uma grande discussão em torno dos selos de certificação, das denominações, da imagem do vinho natural e a realidade histórica dos vignerons franceses. E é claro que provamos seus ótimos tintos Les derniers états d’âme “os últimos estados da alma”, o Mas Jullien e também o Mas Jullien branco. Vinhos de uma complexidade ímpar.

De tanto provarmos os vinhos e falarmos com os vignerons, esquecemos de comer, de almoçar e mesmo de provar umas ostras… a cozinha fechou e depois de quatro horas de degustação voltamos para casa mortos de fome !! Mas com o espírito satisfeito com esses belos vinhos e vignerons.